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Rotina e vida prática

Como funciona a volta ao trabalho pós licença?

Veja como funciona a volta ao trabalho pós licença maternidade: prazos legais, direito à amamentação e passos para preparar a adaptação à creche.

Equipe Mãe & Bebê5 min de leitura
Mulher caminhando ao ar livre de mãos dadas com o filho, ao lado do companheiro e do cachorro

A licença maternidade termina e, num dia qualquer, você precisa voltar para o trabalho com o bebê ainda pequeno em casa. A volta ao trabalho pós licença é um dos momentos mais difíceis da rotina materna, porque mistura logística, culpa e uma quantidade grande de decisão em pouco tempo: quem cuida do bebê, como manter a amamentação, o que fazer se a creche ainda não está pronta.

Não existe fórmula única para esse retorno. Algumas mães voltam para o mesmo cargo, outras negociam horário reduzido, outras trocam de emprego pouco depois. O que ajuda de verdade é entender os prazos legais, os direitos que você já tem garantidos e um plano prático para os primeiros dias, para a volta não pesar mais do que já pesa.

Quando começa a volta ao trabalho pós licença?#

No Brasil, a licença maternidade dura 120 dias corridos a partir do parto ou da adoção, e pode ser prorrogada em até 60 dias em empresas que participam do programa Empresa Cidadã. A volta ao trabalho acontece no dia seguinte ao fim desse período, sem exame ou aviso prévio: a empresa já sabe a data desde o início do afastamento.

Se o seu contrato prevê licença maior por acordo coletivo ou política interna, use esse prazo estendido. E se o parto for prematuro, o INSS conta a licença a partir da data real do nascimento, não da data prevista, o que muda a conta de quando você precisa voltar.

Servidoras públicas e categorias com acordo coletivo próprio costumam ter prazo diferente do regime geral, então vale confirmar com o RH ou com o sindicato qual data conta oficialmente para o seu caso, em vez de assumir os 120 dias padrão.

Como preparar a adaptação à creche antes de voltar#

A adaptação da criança à creche funciona melhor quando começa antes do primeiro dia de trabalho, não no mesmo dia.

  1. Visite a creche com o bebê pelo menos duas semanas antes, em horários curtos, sem deixar ele lá sozinho na primeira vez.
  2. Aumente o tempo de permanência a cada visita, começando com uma hora e chegando a um turno completo.
  3. Leve um objeto com o seu cheiro, como uma peça de roupa, para os primeiros dias sem você.
  4. Combine com a creche um horário de transição na primeira semana de trabalho, para buscar o bebê mais cedo se precisar.
  5. Converse com a educadora sobre a rotina de sono e alimentação que o bebê já tem em casa, para manter o máximo de continuidade possível.

Esse período de adaptação costuma durar de uma a três semanas, e é normal o bebê chorar nos primeiros dias mesmo com todo o cuidado.

Como organizar a rotina nos primeiros dias de volta#

Os primeiros dias de volta pedem uma rotina mais simples do que a que você tinha antes da licença, não mais complexa.

Prepare o que puder na noite anterior: bolsa da creche, roupa do bebê, sua própria roupa de trabalho. Se você amamenta, organize a rotina de ordenha no trabalho antes de voltar, veja se a empresa tem sala de apoio à amamentação e leve uma bolsa térmica para guardar o leite. Peça ao parceiro, à família ou a quem divide a criação com você para assumir tarefas fixas nessa fase, para não sobrar tudo para depois do expediente.

Para mais estratégias de organização da casa e da rotina com bebê, veja outros posts de rotina e vida prática.

Quais direitos você tem garantidos na volta ao trabalho#

A lei garante dois intervalos de meia hora por dia para amamentar, até o bebê completar 6 meses, além da estabilidade no emprego que já existia durante a gravidez e continua por 5 meses depois do parto. Esses intervalos podem ser somados num só ou negociados com a chefia, desde que a amamentação não fique prejudicada.

Se a empresa tiver mais de trinta funcionárias com mais de 16 anos, ela é obrigada a manter local apropriado para deixar os filhos em guarda durante a amamentação, ou pagar um auxílio-creche equivalente até o bebê completar 6 meses. Vale perguntar ao RH se esse benefício existe antes mesmo de voltar.

Quando pedir ajuda ou repensar o plano#

Um plano de volta ao trabalho pode falhar mesmo depois de bem preparado, e está tudo bem ajustar no meio do caminho. Vale conversar com o RH ou com a chefia se a creche pedir mais tempo de adaptação do que o previsto, se a produção de leite cair muito com a rotina de ordenha, ou se o bebê não estiver dormindo ou comendo bem nos dias de creche.

Também vale procurar o pediatra se o bebê emagrecer, tiver febre frequente ou passar a rejeitar o peito ou a mamadeira depois de começar a creche. Às vezes é só o período de adaptação, mas o pediatra ajuda a diferenciar isso de outra causa.

Do lado do trabalho, se você sentir que a chefia trata o horário de amamentação ou a pausa para ordenha como favor e não como direito, procure o RH com a lei em mãos antes de aceitar menos do que a legislação garante. Guardar clareza sobre isso desde a primeira semana evita desgaste maior mais adiante.

A volta ao trabalho pós licença fica mais leve quando o plano nasce antes do primeiro dia, com prazo, direito e rotina já combinados. Para entender melhor o que a lei garante ainda durante a gravidez, veja também quais são os direitos da gestante no trabalho.

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